Publicado por: Carlos | 11/08/2012

DIA DOS PAIS… Um desabafo

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Preferi não fazer comparações entre o dia das mães e dia dos pais para não parecer que estou enciumado, quando na verdade estou é indignado com a total falta de respeito comigo e com os demais pais.

Este é meu terceiro ano como pai, o primeiro que iria participar do evento “dia dos pais” na escola(inha) da minha filhotinha.

Mês de agosto chegou, logo recebi o comunicado da minha esposa que o evento seria no dia 11, o valor a se pagar seria $$$ e por aí vai, tudo seguindo o protocolo normal da ocasião.
Durante estes 10 dias fiquei imaginando as diversas formas do evento, minha filha dançando, me trazendo um pedaço de sulfite com alguns rabiscos onde eu, facilmente, me veria lá desenhado junto com mais três ou quatro rabiscos que representariam os membros da família, com certeza teria espaço para um rabisco roxo representando o Barney.
No inicio da semana recebi informação nova. Os pais deveriam chegar a escola as 9h30m, as mães e filhos somente as 11h30m.
Embora com um frio na barriga imaginando os inúmeros micos que poderia(ámos) pagar, estava em paz, pois no final de tudo isso, o resultado  seria um sorriso imenso no rostinho da minha filha e um infinidade de fotos para a posteridade no(s) facebook(s) dos meus familiares, amigos e, principalmente, minha esposa e prima.
Fim de semana programado, alterei algumas agendas de trabalho, mudei o horário da dentista, respondi os últimos emails as oito da manhã.
Quase como um britânico cheguei na escola(inha), exatamente no horário marcado, o fato que eu só tenho que atravessar a rua para isso não vem ao caso neste momento, o que importa foi que atravessei os portões despido de vergonha e com o peito aberto para me entregar nas mãos de educadoras infantis ávidas em pintar meu rosto, entregar-me alguma máscara, ou até mesmo, um apetrecho de papel machê ou algo similar.
Ao chegar ao salão onde os pais estavam reunidos, vi um telão, cadeiras e pais sentados com a mesma expressão de ansiedade que a minha. Logo a diretora, a frente da platéia, inicia seu discurso e explicação do que iríamos fazer, após uma breve leitura do trecho de um livro que eu, particularmente, achei interessante somente nas primeiras 30 ou 40 palavras, ela nos avisa que iríamos assistir um filme e na seqüência iríamos encontrar nossas esposas e filhos para um lanchinho, terminou o discurso falando que não haveria surpresas nenhuma e que era para nos entregarmos as emoções das mensagens que o filme iria nos transmitir.
Como assim? Como assim era só isso, Cadê minha filha cantando em um dialeto onde a única coisa que eu entenderia seria, papai eu te amo. Cadê meu presente comprado com o meu dinheiro, cheguei a sonhar com uma colagem onde receberia um rosto de cachorro e as orelhas seriam formadas por pares meias sociais marrons ou pretas.
Me entregar as emoções? Melhor não, nenhum juíz entenderia que agi seguindo as minhas emoções daquele momento e, pior, havia recebido carta branca da própria vitima, mas como sou um romântico incorrigível. Passei os próximos 90 minutos pensando que fazia parte da “surpresa” nos tirar todas as expectativas.
Sobre o filme não vou falar nada, acredito que ele deva ter tocado muitas pessoas, inclusive a que o escolheu para nos apresentar, abaixo, o link para o trailer.
A vida me ensinou que falar sobre religião, política, futebol e orientação sexual, não faz bem pra ninguém, então não faz bem pra mim também. Pra mim o filme não ransmitiu mensagem alguma, muito menos emoções, mas muitos pais choraram sim, nada de soluços, mas, da posição que eu estava sentado eu via muitas mãos limpando os olhos.
Enfim, filme acabou, ouvimos barulhos e choros e ainda tivemos que aguardar uns minutos antes de nossa descida ser autorizada, nunca pensei que um dia poderia querer ouvir Fábio Jr. cantando Pai, não ouvi. Descemos, e não é que a diretora estava falando a verdade.
Não tivemos surpresa nenhuma mesmo. Recebi sim, um sorriso e um abraço da minha filha que não tem preço e não tem o que explicar, só quem é pai vai entender o que estou escrevendo, valeu a pena ver os olhinhos puxados da minha filha me buscando no meio daquele bloco de pais e o seu sorriso quando me avistou e veio correndo me entregar um balde de pipoca e um squeeze que, na minha opinião, não fizeram sentido algum. A pipoca deveria ter vindo antes ou durante o filme e o squeeze nem para ter uma colagem feita por ela pra eu identificar o Barney na bagunça. Vê-la depois andando livremente no páteo e sentandinha no chão comendo lanchinho ao lado de amiguinhos me deu uma sensação tranquila de que valeu a pena cada fim de semana que passei estudando ao invés de estar jogando bola ou em alguma balada.
Mas não posso deixar de registrar minha indignação pela falta de empenho da administração da escola em homeneagear aqueles que, neste mundo moderno, na sua grande maioria, não são somente os geradores de rendas e os responsáveis pelas professoras da escola ter um salário, mas são “pais maternos”,  pais cada mais presentes, pais que trocam fraldas, dão banhos, comidinhas, mamadeiras e, assim como eu, são únicos alvos de vômitos abundantes e noites insones. Resumindo: um PAI na sua mais completa definição morfológica.
Num mundo onde o feminismo já foi tópico tantas vezes e é assunto recorrente sempre, será que não é uma atitude machista das mulheres (educadoras), terem oferecido aos PAIS nesta data tão esperada um “evento” tão insignificante.
PÔ ESCOLA(INHA), NEM UMA FOTO DOS NOSSOS REBENTOS COM UM “PAPAI EU TE AMO”, FOI VERGONHOSO.
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Responses

  1. Primo, eu te compreendo !!!!! a sua indignação vem porque você, assim como o meu marido, são pais que estão em extinção!! PAI com letra maiúscula, porque vocês lutam pela dignidade dessa instituição chamada família, não vou dizer que são pais participativos da educação das suas filhas e blá blá blá blá blá……….vocês são PAIS, simplesmente PAIS, na totalidade da responsabilidade que essa palavra, mesmo tão curta, carrega. E vocês acreditam naquilo que muitos já deixaram de crer, que PAI existe sim, e não é somente aquele que dá o sobrenome, é aquele que AMA e dá, se preciso for, a sua vida pelos filhos e família.
    Na escola da minha filha, a comemoração foi as 17 hs, fico imaginando o quanto os pais correram para chegar a tempo, o quanto estava em expectativa o coração das crianças sem saber se o tão esperado convidado chegaria a tempo ( a diretora deve ser a brasileira mais britânica que existe!!). Notei pela gravação do vídeo, que mutas crianças não estavam presentes, de acordo com a Julia elas “faltaram”……. talvez para não verem a falta dos pais!!!!!
    Mas tenha calma primo, feliz é você, que pode sonhar e alimentar a esperança de que no ano que vem, talvez você receberá o tão esperado cartão, todo desenhado (possivelmente já sem o Barney) e rabiscado um PAPAI EU TE AMO!!! Feliz é a Valentina, que tem e sempre terá um PAI, para abraçar, beijar, presentear e até vomitar em cima de vez em quando !!!

    BEIJOS PRIMO LINDO !!!!!!!!!!!!

  2. Cara, eu ficaria puto também. Também foi meu terceiro dia dos pais com minha filha. Nós, pais, vimos uma música ensaiada pelas crianças e o que pude entender foi o “papai eu te amo”. Achei pouco pelas 2 pratas que pago por mês àquela “sem fins lucrativos” instituição. Com a escola(inha) eu ficaria puto mesmo. Mas, pelo menos, aquele olhar de cadê papai, não tem preço, não é mesmo?

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  4. Olha, eu até entendo o que vocês descrevem com um sentimento de indignação e revolta pois o fato aqui é o investimento que é feito na tal escola(inha) como queiram avaliar. Porém, a escola funciona como uma extensão da sociedade, como professora, venho a esclarecer que crianças de pouca idade (pelo relato creio que seja ainda de turmas do infantil) precisam de tempo e dedicação a fazer números mirabolantes com os quais uma sociedade está acostumada e caliçada a assistir de modo a ser uma mera expectadora da realidade que seus filhos estão executando. Sua capacidade, esforço e dedicação não são medidas ou mediadas através de recompensas e presentes e creio que ao final de um ciclo de atividades você gostaria de, no minimo, um conceito tido como satisfatório não é mesmo? A sociedade em si está farta de só reconhecer com homenagens póstumas aqueles que contribuem para o bem dos demais. Fico triste pela forma com a qual se dirige a ,nós, profissionais da área de educação que passam anos (como você mesmo relatou) debruçadas sobre livros, estudando teorias e mediando práticas pedagógicas a ver e um blog a nossa capacidade e potencialidade resumida a nada pelo simples fato de não corresponder a expectativa de um ‘evento’ com o tal você sentiria o fardo de ser PAI com todas as letras diminuído e teria o seu ego inflado. Espero que sua indignação com o ‘evento’ seja repassada a direção e/ou núcleo gestor para que o mesmo, no próximo ano, venha a contratar um serviço especializado, pois a função de um professor é trabalhar com a construção e mediação de conhecimentos e saberes e não corresponder com as expectativas comerciais de datas comemorativas que seriam muito mais significativas se todos tivessem um padrão, uma forma, um modelo ético, nobre, digno, trabalhador sempre por perto para cuidar e zelar da instituição primeira da qual todos nós deveríamos ter feito parte um dia: a FAMÍLIA. Procure sempre construir um referencial de pai companheiro, presente, amigo, fiel e que possa ser aquele com quem contar hoje e sempre pois pelo relato sinto que estais muito envergonhado devido a falta que um gesto por parte da escola e seus profissionais para que você viesse a expor como memória daquele momento, porém lembre-se de que a melhor forma de se pensar o futuro é vivenciando o presente e esteja certo de que a sua presença física, mesmo que o psicológico estivesse a imaginar mil e uma coisas, foi uma das maiores gratificações de sua vida já que não sei se todos, mas haveriam muitos pais que teriam a imensa vontade de ir ou apenas ver seus filhos e pelas dificuldades ou atribulações não o puderam fazer. Espero que sua jovem filha não cresça com essa ideia tão limitada do que é ser um professor, diretor e de que a escola é um local de ‘eventos’ pois com esses tipos de relatos vejo o quanto temos uma visão única e bitolada sobre o que é a educação nesse país. Seria algo surpreende se uma pessoa fosse ao dentista fizesse o próprio diagnóstico e recomendasse todos os procedimentos médicos e/ou cirúrgicos que o profissional deveria se utilizar em seu ambiente de trabalho, não é verdade? Então como podemos exigir isso dos professores? E vendo pela ótica do investimento: uma vez que o valor que você desembolsa em uma mensalidade não chega integralmente nos bolsos da professora. Vamos pensar nisso antes de fazer comentários que possam ferir as capacidades morais de uma profissão, a sociedade por si só já é muito excludente, não sejamos nós mais uma ferramenta de exclusão. Obrigada pelo espaço e oportunidade de expressão, respeito a sua opinião no tocante ao ‘evento’ mas que fique claro a função daqueles que trabalham nas escolas, pois o nosso trabalho vai muito além de ‘cuidar de crianças’ e ou preparar eventos. Uma vez que a profissão de professor engloba várias funcionalidades de outras áreas diversas, questionemos sim a proposta apresentada mas estejamos atentamos aqueles a quem a crítica se deve por direito. Tenha uma excelente semana! =)


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